Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate.
De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.


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quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Abençoada galinha

Como os habitués cá da casa já perceberam, hoje foi uma quarta-feira estranha no 7lifes. Devo aos senhores da SAPO um dia de quase férias da blogosfera, o que até nem soube mal de todo, diga-se em abono da verdade. Já passou. Aproveitei para outras coisas, entre elas umas comprinhas. Afinal é Natal, quase quase... Por isso pensei dar um pulo à Christie's, em Londres, para o leilão onde por um ai não apanhava esta peça da foto. Foi mesmo por um triz. Trata-se de um ovo com um relógio de cuco de diamantes, fabricado pelo joalheiro russo Carl Fabergé para a família Rothschild e hoje vendido pelo preço recorde de 18,5 milhões de dólares (12,5 milhões de euros). Peanuts, no fundo.

É um dos apenas doze ovos de Fabergé (1846-1920) conhecidos no mundo e foi o presente que Beatrice Ephrussi de Rothschild, mulher do banqueiro multimilionário russo Maurice Ephrussi, que eu não cheguei a conhecer, ofereceu a Germaine Halphen en 1905, depois do anuncio do noivado da jovem com o irmão mais novo de Beatrice, o barão Edouard de Rothschild. Ficaria a matar na cozinha da minha casita lá no Algueirão. Pois antes que eu tivesse tempo para licitar, um comprador privado russo resolveu a questão e arrematou, como o Ronaldo fez ontem contra o Sporting. Senti-me anarca, revolucionário, combatente e injustiçado. A foto diz tudo. É preciso pôr um fim urgente à exploração destas galinhas. Quem quiser ovos assim que os ponha.