Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate.
De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.


Mostrar mensagens com a etiqueta cada um é como cada qual. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta cada um é como cada qual. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Não, obrigado.

Na rua dos meus ciúmes
moram todas as paixões
que nunca com brandos lumes
(sempre em acesos vulcões)
cozinhei no meu sentir;
nunca quis por lá morar
mas hoje então nem pensar
não quero sequer lá ir.

È uma rua de perigo
pedaço de um mau caminho
onde não se vai sózinho
(e muito menos comigo)
depois do anoitecer;
e mesmo antes é de ver
com o olho bem aberto
se não existem por perto
tentações de desvario,
dessas onde se tropeça
e lá se perde a cabeça
só por um breve arrepio.

Por isso mudei de rumo
e troquei a volta aos passos
que vou dando nas paixões;
é que ruas há milhões
umas melhores, mas poucas,
com mais beijos e abraços,
outras becos de fracassos
espalhados pelo chão...
mas ruas de paixões loucas
de ciúmes e de fado
são um passeio acabado.
Muito obrigado, mas não.