Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate.
De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.


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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Vale tudo menos tirar olhos

Corro a blogosfera e dou por mim de boca aberta a ver a quantidade de gente séria que, na sanha persecutória às marotices do nosso primeiro, até já cita e reproduz 'O Crime', essa pasta de papel desperdiçada num pasquim merdoso. Como se fosse investigação. Como se fosse jornalismo. Como se fosse para levar a sério. "Afinal Sócrates declarou seis mil euros como trabalhador independente", descobriu o pasquim da calúnia. E ainda "Bibi processa bastonário", na mesma primeira página citada e reproduzida por gente de respeito. Não pára de me espantar, a espécie humana. "O carácter de um homem é o seu destino", dizia Heraclitus, quinhentos anos antes do nascimento de Cristo. E bem.