Amigos, estou em sarilhos. A bem dizer é o costume, uma porra antiga, mas desta vez a coisa é séria e eu preciso da vossa ajuda. Passo a explicar. Meteu-se-me na cabeça ir viver para o campo, o que é normal e comum. Quis um sítio onde não chegasse o 24Horas mais o Carlos Castro, o que é natural e compreensível. A terra em Portugal está pela hora da morte, o que é estranho já que andamos todos tesos, mas pronto. Pensei na Argentina. É a pátria de Maradona, o que significa que a mão de Deus está por perto e funciona. Cristina Krishner é Presidente da República e é bem jeitosa, o que não resolve mas ajuda, para quem vem de cavacos como eu. Decidi-me. Argentina com ele.
Vi uma casita jeitosa em Olivares de San Nicolás, província de Córdoba, a uns 700 quilómetros a Noroeste de Buenos Aires. É uma localidade onde vivem cerca de 800 pessoas e que ocupa uns 20 hectares de um campo de 2.216 hectares, a maioria deles com plantações de oliveiras. Tem uma igreja, um tribunal, um destacamento policial, uma escola, um consultório médico, algumas lojas e as casas de habitação. Uma delas a dos meus sonhos, com quintalinho e tudo. Estava o negócio bem encaminhado quando soube a notícia, hoje de manhã.
Vi uma casita jeitosa em Olivares de San Nicolás, província de Córdoba, a uns 700 quilómetros a Noroeste de Buenos Aires. É uma localidade onde vivem cerca de 800 pessoas e que ocupa uns 20 hectares de um campo de 2.216 hectares, a maioria deles com plantações de oliveiras. Tem uma igreja, um tribunal, um destacamento policial, uma escola, um consultório médico, algumas lojas e as casas de habitação. Uma delas a dos meus sonhos, com quintalinho e tudo. Estava o negócio bem encaminhado quando soube a notícia, hoje de manhã.
Acontece então que ontem o juiz argentino Carlos Molina Portela fixou para 18 de Dezembro próximo a data do leilão da minha nova e pequena localidade, que vai ser vendida, toda ela e nessa data, para que o Estado possa cobrar as dividas que têm os donos das terras onde a povoação foi erigida. Sei que os meus futuros vizinhos já pediram à justiça que a superfície ocupada pela localidade ficasse excluída do leilão, e que a questão deverá ser resolvida num tribunal superior. O Dr. Eduardo De Luca, o advogado que nos representa, disse que os habitantes de Olivares de San Nicolás apelaram a tratados sobre direitos humanos para impedir o leilão e que já se ofereceram para pagar o valor dos 20 hectares que ocupa a localidade. Mas os senhores sabem como estas coisas são, cada vez que uma igreja, um tribunal, um destacamento policial, uma escola, um consultório médico, lojas, casas e ruas com esquinas e tudo vão a leilão em sessão pública, aparece sempre quem queira comprar e eu estou preocupado, confesso.
Não é a perspectiva de não conseguir a minha casita lá em Olivares que me incomoda. Tenho sempre Gondomar, conheço o Major e temos árbitros amigos. A questão é outra e bem mais grave. Vamos supor que tenho lá por Olivares um problemazito qualquer daqui até 18 de Dezembro. Ainda é tempo, caramba, tudo pode acontecer. Com o pé que eu tenho para a asneira posso ir preso, até, vejam o Bibi e o Dr. Paulo Pedroso que também foram e de certeza não fizeram nada. Pode acontecer. Ora se chega 18 de Dezembro e eu estou de cana, se a cela é vendida junto com o resto do destacamento policial e se o tribunal é comprado por alguém que more longe, os senhores querem-me explicar como é que eu saio dali sem ser por licitação ou ajuste directo? Daí o pedido, a súplica, a esmola que vos imponho. Sou bom rapaz, que diabo! Salvem-me. Comprem-me. 