Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate.
De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.


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sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Bom dia. Hoje estou falador.

Ele há coisas levadas da breca, surpresas que só Deus sabe. Coisa rara e nunca vista, deu-me agora para andar a descobrir dias nos sítios mais improváveis de se encontrar 24horas de jeito todas juntas, assim logo à primeira vista das minhas melhores expectativas. Quando julgava que já sabia tudo sobre o que vai ser, sobre aquilo que sou, a rotina das marés, sol e lua à vez, sono no meio, um dia depois do outro e antes do seguinte e todos folhas brancas para um retrato repetido de mim mesmo, quando achava difícil achar, de tão perdido, eis que tropeço em manhãs improváveis, em tardes estranhas e em noites que nem vos conto. Um alarido nos meus ventrículos, bate que bate, pumcatrapum. E eu lá pelo meio, como no CSI, tudo em cores brilhantes, azuis e vermelhos, zoom e panorâmica e efeitos sonoros. Não é que o circo tenha descido à cidade, mas lá que toca a banda em cada esquina do inesperado, isso confirma-se. São fases, só pode ser. Pois que seja infinito enquanto dure, como dizia o velho que sabia das coisas, que eu cá assino em baixo e vou no samba.
Mas entretanto atenção, muita atenção! Para trás, invejosos que já sonham romance! Vade retro, lascivos que já sonham molhado! Pirai-bos azinha daqui, cambada de morcões que já sonha dar norte à minha fantasia! Ide dar norte a outro que eu cá vou andando assim assul, muito obrigado mas não obrigado.

Uffff.
Pronto.
Já está.
Um bom desabafo ajuda sempre.
Fico feliz por termos tido esta conversa.

Bom dia a todos.