Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate.
De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.


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terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Cinical

Chega Dezembro e é assim. O pão vira circo na mesa de todas as acrobacias d'alma que são absolutamente essenciais para conseguir chegar a Janeiro com poucas mossas e um ar lavadinho e como novo. Dia um de Janeiro é dia zero quilómetros, bora lá outra vez que vais ver que é desta. E são onze meses de labuta, aumento da electricidade para aqui, kilo da pescada para ali, Sócrates disse, Menezes disse, Cavaco chatice, Casa Pia resiste, pedofilia insiste, o Porto ganhou, o Benfica perdeu e Lili é sempre Lili, c'um Caneças! Uma ou duas rusgas na Ribeira, disco novo da Mariza, meio discurso de Alberto João Jardim para rebater e temos o ano feito num ápice. Até Novembro só aspiram à paz mundial os simples, os meninos das escolas primárias, os candidatos ao Nobel da dita e as misses dos concursos de beleza nos seus discursos de vitória. Dia um de Dezembro volta a abrir a época, haja calma, que um ano passa num instante. E muitos méri cristemas para todos, claro.