Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate.
De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.


sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Joga pedra na Geni. Joga bosta na Geni.


Cabo Negro


«A coisa começou domingo, aqui na ilha da Boa Vista. De repente, sem ninguém saber porquê, começaram a dar à costa dezenas de golfinhos. Os populares, alguns, ainda tentaram salvá-los, empurrá-los para dentro de água, mas foi impossível. Não estive lá mas, esse sim, deverá ter sido um “espectáculo dantesco”, uma frase que nós, jornalistas, tanto gostamos de usar.Mas a coisa continuou para segunda-feira e na quarta alguns ainda rondavam a ilha, como se esta fosse uma atracção irresistível, a atracção do abismo, a atracção da morte. Foram 265 em pouco mais de 48 horas, espalhados pela praia, enterrados ali mesmo, alguns, outros, imagina tu, levados pelos populares para os comerem. Tal foi que quando ontem responsáveis do Ministério do Ambiente queriam um para análise não havia.Agora, e não sei se para sempre, desconhecem-se as causas do desastre. Diz-se, por aqui, que há situações em que quando os golfinhos perdem o líder podem ter reacções destas, ou então esse líder, ou lideres, é que ficam loucos e dirigem-se para a morte, sendo seguidos pelo resto do grupo.»

(ler o resto aqui)


Há dois ou três anos dei por mim no mar da Praia do Pópulo, em S.Miguel, agarrado a um golfinho bébé que tinha dado à costa e não conseguia voltar para o largo. Fui dos últimos a jogar-me à água, confesso, que antes de mim foram os sete ou oito companheiros de aventura que já tentavam o salvamento do bicho há uns bons quinze minutos quando eu cheguei.

O animal esteve irritantemente manso durante todo o tempo que durou o episódio. Que foi muito, diga-se, mais de uma hora e meia até finalmente chegar a lancha da Polícia Marítima. Como se tivesse ali desistido de viver e não quisesse dar nem mais uma barbatanada que fosse para salvar a vida. Tinha olhos de angústia e medo, juro-vos eu, que nunca fui geenpeace na vida. Nunca mais me esqueci desta aventura que terá acabado em bem, ao que se sabe. Conseguimos passar uma rede larga por debaixo do golfinho e a lancha rebocou-o devagarinho até mar alto, onde o largou entregue ao seu destino. Era o bem possível, disseram.

Hoje a lembrança do meu flipper açoriano atacou-me de frente ao ver a foto que aqui divido convosco. Foi sacada ao Atlântico Expresso, juntamente com o texto do Fernando Peixeiro, em directo do areal da Boa Vista em Cabo Verde, onde duzentos e sessenta e cinco golginhos deram à costa para morrer.

Deixo-vos com as três coisas.
A foto, as palavras e a minha chapelada ao cronista.


Que grande António!

(SOL, hoje)


Na voz da oposição ou nas palavras do recente relatório do Tribunal de Contas sobre o «Acompanhamento da Situação Económico Financeira do SNS de 2006», a análise crítica ao ministério de Correia de Campos não traz cores muito saudáveis à sua própria fotografia.
Lembrei-me deste texto, velho de um ano, mas actual.


O homem é um génio. O homem é um prodígio, uma revelação, um portento, um messias que ali está. Eu não o mereço, você não o merece, nós não o merecemos, eles não o merecem. Portugal viveu anos de cegueira, décadas de nevoeiro intelectual cerrado que só terminaram com a chegada deste homem bom e iluminado que nos vai salvar a todos, finalmente. Não, por acaso não estava a referir-me ao professor Cavaco. Eu falo desse mago dos números, desse gestor iluminado, desse visionário pragmático e de excelência que dá pelo nome singelo de António Correia de Campos e serve a Pátria lusitana ao leme da pasta mais complicada de todas as pastas de todos os governos de todos os tempos: a Saúde dos portugueses. Complicada até agora, que daqui em diante não tem espinhas. Agora é sempre a andar, é sempre em frente, a caminho do progresso e do desenvolvimento, que digo eu? Com este homem atrevo-me a sonhar: é o fim de todas as doenças que se adivinha possível com António Correia de Campos.

Só de pensar no tempo perdido sinto arrepios. Deve ser disso, não pode haver outra razão para o frio de morte que me assolou a espinha desde que escutei as palavras deste grande António ontem na televisão. Chegaram-se-me as lágrimas, quase, quase. O homem disse que estava 'empenhado numa cruzada' e eu não duvido. Falou no 'milagre' que era preciso para salvar o sector da saúde, na responsabilidade de todos nós e noutras coisas bonitas, com palavras também bonitas e uma gravata encarnada que não era feia de todo, que eu já a tinha visto quando a televisão o mostrou anteontem, ali, todo António, na inauguração do novo hospital privado de Belmiro de Azevedo. As palavras que disse nessa altura também me pareceram jeitosas, congratulando-se "com este tipo de parceiros privilegiados que a saúde precisa em Portugal" e visitando o novo espaço que está a partir de agora ao dispor dos portugueses. Pagando, evidentemente.

Talvez tenha sido nessa altura que teve a ideia, o rasgo, o golpe de génio. E hoje contou a toda a gente a sua solução. Então não é que aquele grande António descobriu que a fonte de financiamento que falta ao Serviço Nacional de Saúde está afinal á vista de todos nós? Basta olharmos para um espelho. Isso mesmo, faça a experiência, olhe para o espelho. O que está a ver é a cara do financiamento, o rosto do pagador. Genial, é o que é! Olhem que eu já conheci muito António na vida, mas um António desta envergadura nunca tinha visto. E tudo tão simples, o ovo de Colombo do financiamento hospitalar. Se os utentes usam o Serviço Nacional de Saúde, os utentes pagam o Serviço Nacional de Saúde. É fácil, é barato e dá milhões que não saem das contas do Estado mas sim do bolso do contribuinte que é o utente. È certo que o utente já é contribuinte mas agora vai poder contribuir para ser utente e aí é que está a simplicidade da coisa. Perceberam?

Eu sei que vai haver quem proteste contra esta ideia do senhor Ministro da Saúde, quem não seja suficientemente António para a compreender. Quem venha falar de minudências, como o facto da Constituição da República assegurar o direito à saúde "tendencialmente gratuita", quem venha com balelas sobre os princípios do 'Estado Social' ou quem conteste a visão de dioptria larga que mostrou António Correia de Campos, nunca é demais recordar-lhe o nome, esse grande António. Que nunca os portugueses esqueçam este nome nem aquele rosto rosado de empenho em tratar-nos da saúde, para que da memória colectiva deste país não se apague o dia em que um ministro socialista descobriu no povo o capital necessário para pagar os seus próprios cuidados de saúde.


Não posso ir contigo, é? Sou tua criada, por acaso?


E o ridículo, mata?



Oxalá ele saiba o 'Encosta-te a mim'

(Lusa, hoje)

Bom dia. Abruptamente.

Combinado é combinado. Hoje eu linko o Abrupto.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Todo nú e de toalha à cintura.


Ouço na rádio o novo spot promocional da revista 'Visão', anunciando a nova entrevista do PGR Pinto Monteiro, e juro que tremo na expectativa. Os senhores lembram-se do Zé Maria do Big Brother? Eu lembro-me. Era um calceteiro de Barrancos, uma alma simples que fazia poemas à sua amada cegonha empoleirado nos montes raianos d'atrás do sol posto. Tinha a humildade característica de quem discute a vida com as galinhas, mesmo sabendo a conversa à mercê do olho guloso de um país voyeur. O Zé ganhou o BB, o Zé vestiu Armani para as galas, o Zé deu entrevistas, o Zé foi olhado, mirado, bicado, comido, chupado e cuspido pelo Portugal côr de rosa, que exige gladiadores sempre novos no circo do seu imenso tédio de viver. Depois o Zé caiu em desgraça. O Zé quis atirar-se da ponte sobre o Tejo e enloucou de vez um dia, pelas ruas de Lisboa, nú e de toalha à cintura, a gritar que não lhe tocassem.

Nos finais do passado mês de Outubro, o Procurador Geral da República deu uma entrevista a um semanário em que, entre outros assuntos, comentava as escutas feitas em Portugal à revelia do poder judicial e, a bem dizer, à revelia de toda a gente. Foi em entrevista à revista Tabu do semanário Sol, de 18 de Outubro, que Pinto Monteiro disse a dado passo: «Vou dizer uma coisa com toda a clareza, que talvez não devesse dizer: acho que as escutas em Portugal são feitas exageradamente. Eu próprio tenho muitas dúvidas que não tenha telefones sob escuta». Daí para a frente, de referência em referência, de citação em citação, o nome de Pinto Monteiro foi saltando de nenúfar em nenúfar no lago da atenção nacional.

Cedo vieram as entrevistas à rádio e televisão, para que se pudesse pôr som e imagem em tão polémicas palavras. E Portugal aprendeu então o rosto da Procuradoria, o som das suas inflexões de voz e a medida do seu carácter, na aferição possível de quem vê a realidade do país na televisão do café, às oito da noite. Nicho de mercado para toda a conversão anti-governo, o país real bebeu o PGR em golos pequeninos e saboreados, ao princípio. Mas a sede de justiça era tanta neste deserto português que o mito depressa ultrapassou o homem e se perdeu de vista nos desejos de cada um. O spot promocional da edição de hoje da 'Visão' é o retrato acabado dessa bebedeira do desejo geral. «Não perca as opiniões de um homem que não tem medo de afrontar o poder político. Pinto Monteiro arrasa a lei que reduz os magistrados a funcionários públicos, fala sobre o caso Maddie, Operação Furacão e Casa Pia. Visão: tenha uma.»

O Zé Maria está bem, agora, e eu fico feliz por isso. Recompôs a sua vida e eu bato palmas de longe, depois de o ver cair de perto. Raras vezes vi um massacre tão intenso em alguém tão cordeiro, raras mortes foram tão anunciadas como a sua, às mãos gulosas dos senhores da vaidade nacional, sempre prontos a esquecer os ossos da carne que comem. Mas suspeito que um novo ciclo digestivo está a começar. Acontece-me essa suspeita sempre que começo a ver e ouvir muito mastigar na mesma carne. É claro e por demais evidente que Pinto Monteiro não é um zé maria qualquer, mas também o que está em jogo na Procuradoria Geral da República deixa os cenários e os milhares de toda a produção Big Brother no tostão do mealheiro dos desvalidos. Na batalha do carisma, a concorrência do PGR está na aura de Maximiano Rodrigues, e a bitola de comparação nos exemplos de Cunha Rodrigues e Souto Moura, pela positiva e pela negativa. Vejo as fotos recentes do PGR e acho-o mais penteado, retocado, mais bem posto, mais articulado e explicadinho nas palavras. Vejo-o mais sorridente e afável, o que não é bom. E mais selectivo na contenção, o que creio pior. No geral, vejo-lhe queda para a coisa e muito, mas mesmo muito por onde cair. Não o vejo nú e de toalha à cintura, enloucado pelas ruas da capital e a gritar fantasias de destruição, é um facto, nem espero ou desejo que tal venha a acontecer. Mas também que diabo, ainda nem sequer estamos no Natal. Ainda é cedo para tanto.

Prophýlaxis masculinas

Amigos: eu hoje não vou ser simpático, mas sim didáctico e profiláctico. Vou dar lições ao mundo masculino, esses colegas ignorantes que continuam a achar que a mulher é o sexo oposto, quando no fundo é o ideal.


Gente que se perde no confronto porque não sabe como agarrar numa consciência e abaná-la até que dela brote um pingo de inteligência, um pingo de civismo, um pingo de vergonha, um pingo seja do que for, na circunstância. Por isso vou ser técnico e arrojado, prático e ilustrado, meticuloso e manhoso até, se tiver que ser, mas vou pegar neste assunto que não é fácil, acreditem.


Proponho-me agitar, abanar, sacudir a inconstância alheia, salvo seja, numa tarefa delicada que não é para todos. Tinha que começar por algum lado. Pois foi com o pensamento na cueca que tomei a coisa em mãos. Não me agradeçam, por favor. Nós, homens, temos que ser uns para os outros.

É o lobo, é o lobo, é o lobo!!

Triste figura a da PSP ao anunciar, em comunicado oficial ao país, que graças á sua pronta intervenção teria impedido um suícidio colectivo de um grupo de jovens de uma escola em Vale de Cambra. A mãe de um rapaz de 14 anos deu o alerta sobre os hábitos on-line do filho e dos amigos. E a PSP anunciou ter impedido um suicídio colectivo, tiro e queda. Depois das hilariantes declarações do Intendente Teles em Vila de Conde, há poucos dias, que afirmava ter impedido um assalto a um banco após ter estado três horas a encurralar um ladrão que não existia, o vasto anedotário de declarações públicas daquela força policial ficou agora mais rico com esta acção inexistente da PSP, contada a toda a gente pela própria PSP e que mereceu honras de primeira página em vários jornais. Com o Correio da Manhã, no grupo dos 'sérios', a assumir especial destaque com as parangonas «Polícia trava suicídio colectivo de jovens» que titulavam a sua edição de anteontem, cheia de pormenores sobre auto-mutilação, Orkut e conspirações escolares. Em contraste com a notícia equilibrada, profissional e rigorosa do JN, por exemplo, da autoria de João Paulo Costa. Nas rádios, em todas as rádios, só faltou saber-se a cor dos caixões dos já suicidas, que até eram muitos, parece, ouvi dizer, sei lá, dizem. E assim andou Portugal um dia de cabeça perdida com o seu massacre escolar caseirinho.

Ontem, o presidente da Câmara de Vale de Cambra, José Bastos, confirmou que o jovem de 14 anos, residente nos arredores da cidade, "não se automutilou". O autarca, que esteve reunido com a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ) de Vale de Cambra, desmentiu igualmente a existência de qualquer ideia de suicídio colectivo que alegadamente estaria a ser preparado por jovens residentes no concelho. José Bastos desmentiu assim a informação da PSP de Aveiro e lamentou que a informação da PSP tenha sido tornada pública, assegurando que "o único erro do jovem foi ter consultado sites impróprios". Também o vereador da Acção Social daquela autarquia veio confirmar que o jovem «não fez nada ao seu corpo», de forma taxativa. «Ao contrário do que tem sido divulgado, não corresponde à verdade que o jovem de 14 anos tivesse praticado automutilação», declarou Manuel Augusto de Carvalho.

A gravidade do efectivamente sucedido não pode nem deve ser subestimada. Não é para graças aquilo que uma mente juvenil perturbada pode fazer consigo própria e com os outros que a rodeiam. Vemos, ouvimos e lemos que é assim nos dias de hoje. Por isso mesmo temos todos de estar muito atentos à nossa geração não rasca, para que esta nunca o venha a ser. E atentos a todos os avisos que possam soar nesta sociedade por norma distraída. Temos de estar prontos a agir na primeiríssima necessidade. Quando alguém gritar 'olha o lobo', é bom que a gente corra e salve as crianças, recolha o avô, tranque as galinhas, feche a porta e mate o bicho. Mas para isso, a condição primeira é não pôr um idiota de serviço à torre de vigia, que vai distrair toda a gente com os seus gritos minuto a minuto. Só para a gente olhar para ele.

O Papa foi aumentado?

Jorge: não deixes o álcool!

Luis Calimero Scolari


Bom dia. Hoje eu sou Croata.


quarta-feira, 21 de novembro de 2007

A fechar...

... ganhámos zero a zero, eu sei, mas Portugal marcou primeiro. Boa noite.

Amigos, petróleo, barrigas e corações.

Naquele seu estilo porreiropá que tão bem demonstrou quando da assinatura do Tratado de Lisboa, palmadeando costas e apertando bochechas dos líderes europeus, o nosso socrático primeiro recebeu o nãomecalo Hugo Chavez na pista de Figo Maduro, lado a lado com um tambémsoudesbocado Mário Soares e outros apoiantes do estouparadurar Fidel Castro. Foi uma espécie de festa da democracia, na versão aeroporto militar mas com bandeiras.

Logo ali Chavez abriu os braços e o coração ao povo dos padeiros que 'alimentam a Venezuela' e a deixam 'como diz o ditado, barriga cheia, coração contente'. Abraçou Sócrates e disse de Soares que 'Don Mário' o vai visitar muitas vezes a Caracas. E pela noitinha foi às sopas a S.Bento, um regalo de Sócrates que revelou a Chavez e Soares, também convidado, como o nosso primeiro tinha apanhado aquela da 'barriga cheia, coração contente'.


Chegada a hora da partida foi tempo de balanços para toda a gente. Os elogios aos padeiros voltaram a ser ouvidos e as novidades sobre as negociações para o fornecimento de gaz e petróleo, no valor de muitos milhões de euros, entre os nossos dois países e em que Soares está pessoalmente envolvido, foram anunciadas como um sucesso diplomático. Tudo está bem quando acaba em bem e a visita acabou, finalmente. E como o Rei de Espanha não estava por perto, Hugo Chavez teve oportunidade de dizer o que lhe apeteceu aos microfones sem que ninguém o mandasse calar.

Foi assim que se soube, dito e confirmado por Chavez, ontem, na base militar de Figo Maduro e antes de partir para Cuba, que D.Mário e a Fundação Mário Soares têm recebido diversos e gordos financiamentos da Venezuela. Foi só mais uma coisa dita, porque "somos parecidos, temos o riso fácil e damos a mão com o coração". Até agora ninguém comentou, no governo ou fora dele. Cá para mim era outra vez a sabedoria popular de Chavez, aposto. Como diz o ditado, barriga cheia, coração contente.

Vómitos também contam?

«Microsoft encerra blogues que incitem distúrbios alimentares»

O outro detido está vivo?

(SOL,21Nov)
«Cinco mortos, seis detidos e 421 acidentes só no dia de ontem»

O fim da guerra

Sejamos realistas. Devemos estar todos gratos aos céus pela fraca cabeça de George Bush. Afinal, se lhe restasse um pingo de esperteza em toda aquela maldade, Bush resolveria de uma penada a guerra do Iraque sem sombra de contestação. Matava todos os iraquianos mais o Carlos Castro. Porquê o Carlos Castro? Exactamente, viram? Assim ninguém perguntava pelos iraquianos.


A minha mulher teve quatro filhos