«É soltando o trecho Je ne regrette rien que Alberto João Jardim recua 30 anos e condensa o que foram os seus três decénios à frente dos destinos da Região Autónoma da Madeira. É no Porto Santo e em plena quadra pascal, que Alberto João Jardim vai passar pelo inexorável traço do tempo ainda que não goste, nem queira comemorar: «Non! Rien de rien.../ Non! Je ne regrette rien/ Ni le bien qu'on m'a fait/ Ni le mal tout ça m'est bien égal!», solta aos quato ventos...»domingo, 16 de março de 2008
Jardim Piaff
«É soltando o trecho Je ne regrette rien que Alberto João Jardim recua 30 anos e condensa o que foram os seus três decénios à frente dos destinos da Região Autónoma da Madeira. É no Porto Santo e em plena quadra pascal, que Alberto João Jardim vai passar pelo inexorável traço do tempo ainda que não goste, nem queira comemorar: «Non! Rien de rien.../ Non! Je ne regrette rien/ Ni le bien qu'on m'a fait/ Ni le mal tout ça m'est bien égal!», solta aos quato ventos...»Bom dia. Hoje eu juro, juro que não era eu.
«Eu também já vi aqui alguém dos Açores.»
(José Sócrates, ontem, no comício do PS, no Porto)
(José Sócrates, ontem, no comício do PS, no Porto)
sábado, 15 de março de 2008
Pessoas de raça perigosa
«Quatro crianças foram atropeladas hoje numa passadeira, no Porto, por um taxista alcoolizado que fugiu do local, revelou a PSP; uma das raparigas está internada com ferimentos graves no Hospital de S. José.
Às 15:50, uma menina de sete, outra de oito e duas de 12 anos foram atropeladas por um taxista de 44 anos quando atravessavam uma passadeira da Praça das Flores, na freguesia do Bonfim. As raparigas foram transferidas para o Hospital de São José: três com ferimentos leves e uma das mais velhas com ferimentos graves. "A rapariga de 12 anos deverá ficar internada no Hospital", disse à Lusa o oficial de Dia da PSP do Porto.
Mais de uma hora após o acidente, o taxista, casado e residente em Campanhã, apresentou-se na esquadra e foi constituido arguido por atropelamento com fuga e omissão de auxílio, revelou a PSP. Além destes crimes, o condutor apresentava ainda uma taxa de alcoolémia de 0,92, quando o máximo permitido é 0,5.»
Quero saber, sem ironia, sem intenção de gracinha: deve o Estado mandar esterilizar todos os condutores, ou só os taxistas? Ou apenas os condutores taxistas bêbedos? Um condutor bêbado trata-se ou não de uma raça perigosa? Quantos mortos até hoje, atropelados nas passadeiras ou fora delas, crianças, velhos, novos, homens, mulheres? Por falta de uma lei ou por falta de cumprimento da lei existente? Como se resolve, esteriliza-se? Sei que pode parecer absurda a comparação, sobretudo para quem logo à partida não se quiser dar à maçada de pensar. Quem já souber tudo sobre tudo. Mas esqueçam por um segundo se falamos de cães se de gente. Só por um instante. Falemos só de governos, de leis, de povos e de aplicação e cumprimento ou não das leis existentes. Era bom se o fizessemos, por um instante. Porque nessa perspectiva estaríamos a falar da mesmíssima coisa, uma só nas duas situações: um problema social que não é exterminável por decreto. Que existe nas pessoas, não nas leis. Em pessoas de raça perigosa.
Alguém pode fazer o favor de explicar isto ao senhor Silva que é ministro?
Às 15:50, uma menina de sete, outra de oito e duas de 12 anos foram atropeladas por um taxista de 44 anos quando atravessavam uma passadeira da Praça das Flores, na freguesia do Bonfim. As raparigas foram transferidas para o Hospital de São José: três com ferimentos leves e uma das mais velhas com ferimentos graves. "A rapariga de 12 anos deverá ficar internada no Hospital", disse à Lusa o oficial de Dia da PSP do Porto.
Mais de uma hora após o acidente, o taxista, casado e residente em Campanhã, apresentou-se na esquadra e foi constituido arguido por atropelamento com fuga e omissão de auxílio, revelou a PSP. Além destes crimes, o condutor apresentava ainda uma taxa de alcoolémia de 0,92, quando o máximo permitido é 0,5.»
Quero saber, sem ironia, sem intenção de gracinha: deve o Estado mandar esterilizar todos os condutores, ou só os taxistas? Ou apenas os condutores taxistas bêbedos? Um condutor bêbado trata-se ou não de uma raça perigosa? Quantos mortos até hoje, atropelados nas passadeiras ou fora delas, crianças, velhos, novos, homens, mulheres? Por falta de uma lei ou por falta de cumprimento da lei existente? Como se resolve, esteriliza-se? Sei que pode parecer absurda a comparação, sobretudo para quem logo à partida não se quiser dar à maçada de pensar. Quem já souber tudo sobre tudo. Mas esqueçam por um segundo se falamos de cães se de gente. Só por um instante. Falemos só de governos, de leis, de povos e de aplicação e cumprimento ou não das leis existentes. Era bom se o fizessemos, por um instante. Porque nessa perspectiva estaríamos a falar da mesmíssima coisa, uma só nas duas situações: um problema social que não é exterminável por decreto. Que existe nas pessoas, não nas leis. Em pessoas de raça perigosa.
Alguém pode fazer o favor de explicar isto ao senhor Silva que é ministro?
sexta-feira, 14 de março de 2008
Porra!
A aldeia de Vide passou-se quando viu a velhota mexer-se, um ror de gente o jura no Jornal Nacional da TVI, vi há poucos minutos, só o tempo de escrever. É que a idosa estava supostamente falecida, morta e esticadita no caixão já a ser velado por familiares e amigos. Mas mexeu-se sim senhor, juram uns quantos, nem tão poucos quanto isso, e até 'estava quentinha', garante uma vizinha. Vai daí chamaram o INEM, que chegou só para confirmar o óbito. Estava morta a falecida, confirmou quem sabe da poda. Se antes, se depois da tal mexida, isso fica por saber. O facto é que o funeral ficou adiado 24 horas, pelo sim pelo não. E tudo se passou numa mortuária que fica na Rua do Volta Atrás, curiosamente. A vida é um poço de surpresas, não há dúvida. E a morte também, pelos vistos.
Falando claro
O amanhã promete. Assim à partida, a frase é de esperança e augura um futuro promissor; mas não neste caso, confesso. Usei-a aqui pelo contraste, com o pensamento em duas acções independentes que terão lugar amanhã, concomitantemente ligadas por um umbigo comum, a saber: no comício nacional do PS, convocado para amanhã no Porto e que contará com a presença de José Sócrates; e na manifestação de contestação que estará a ser convocada, de forma anónima, para ter lugar nas imediações do Pavilhão do Académico. Recorde-se que, nos termos do Decreto-Lei 406/74, as pessoas ou entidades que pretendam realizar reuniões, comícios, manifestações ou desfiles em lugares públicos ou abertos ao público devem avisar por escrito e com antecedência mínima de dois dias o governador civil ou o presidente da câmara municipal, conforme o local da iniciativa se situe ou não na capital do distrito. Ora nada disso aconteceu neste caso. E para amanhã as previsões do barómetro social são mais preocupantes que as metereológicas, mais carregadas no cinzento ameaçador. Porquê? Respondo-vos com a transcrição de um comentário assinado por Nuno Nasoni num post do Corta-Fitas. Uma análise a reter, pelo sim pelo não. E a aplaudir em qualquer dos casos. Ora leiam com atenção.«Conhecem o pavilhão? Já joguei lá umas futeboladas de domingo. Tem duas particularidades. A primeira é que tem uma entrada directa da rua, mas que é "cega" - obriga a contornar uma parede para se chegar ao recinto. Mas a entrada habitualmente mais utilizada é um portão de ferro, lateral, que dá acesso a um pátio interno que antecede o pavilhão. Esta entrada permite criar um espaço de isolamento entre o pavilhão e a rua. O recinto em si é antiquado, com fracas condições.
A rua em questão - Costa Cabral - é uma rua estreita, de duas faixas e com passeios apertados. E bastante movimentada. Será possível fazer-se uma contra-manifestação nesta rua? Se a polícia mantiver o trânsito a circular, é impossível. Não há espaço. Cortando-se o trânsito, é um belo sítio para quem quiser dar umas assobiadelas. Embora muito próximo da estação de metro do Marquês, fica numa zona de ruas estreitas (perto de um entroncamento com uma rua de sentido único), onde é muito fácil promover-se um confronto.
De todos os pavilhões da cidade, tenho dificuldade em lembrar-me de um mais inadequado para um comício político - para mais numa circunstância de ânimos exaltados.
Depois de cortado o trânsito, é quase inevitável que uma eventual contra-manifestação corte os acessos ao pavilhão. A distância entre os socialistas e os manifestantes será mínima, e propensa a atitudes exaltadas. Para mais, até pela dimensão do recinto, os socialistas serão poucos (e da linha dura, o vulgar eleitor não se mete numa destas). Espero que me engane, mas corremos o risco de ver umas cacetadas na abertura dos telejornais de amanhã.»
Cumprimento o comentador, que não conheço. E bato palmas à análise, nem que seja pela real possibilidade remota que até não me parece ser tão remota assim. Faço sinceros votos que ele esteja redondamente enganado, que não tenha os miolos que aparenta, que seja mais um papagaio que diz coisas só porque sim. O que não me parece, confesso com pena. Por isso faço os tais sinceros votos que, por mais lúcida que aparente ser esta sua leitura dos factos, ela não corresponda a mais uma lamentável teatrice política com as marionetas de sempre, que somos todos nós. Porque isso, independentemente da justeza das causas que dessem um motivo, seria verdadeiramente nojento, certo? Estou enganado?A rua em questão - Costa Cabral - é uma rua estreita, de duas faixas e com passeios apertados. E bastante movimentada. Será possível fazer-se uma contra-manifestação nesta rua? Se a polícia mantiver o trânsito a circular, é impossível. Não há espaço. Cortando-se o trânsito, é um belo sítio para quem quiser dar umas assobiadelas. Embora muito próximo da estação de metro do Marquês, fica numa zona de ruas estreitas (perto de um entroncamento com uma rua de sentido único), onde é muito fácil promover-se um confronto.
De todos os pavilhões da cidade, tenho dificuldade em lembrar-me de um mais inadequado para um comício político - para mais numa circunstância de ânimos exaltados.
Depois de cortado o trânsito, é quase inevitável que uma eventual contra-manifestação corte os acessos ao pavilhão. A distância entre os socialistas e os manifestantes será mínima, e propensa a atitudes exaltadas. Para mais, até pela dimensão do recinto, os socialistas serão poucos (e da linha dura, o vulgar eleitor não se mete numa destas). Espero que me engane, mas corremos o risco de ver umas cacetadas na abertura dos telejornais de amanhã.»
Estórinhas merdosas do Portugal que somos
Hoje, numa escola do Montijo, um rapaz de catorze anos sentiu-se mal durante uma aula de educação física. A escola chamou o INEM, naturalmente. O INEM registou a chamada e mandou aguardar. O tempo passou. Nada de ambulância. Cansada de esperar, a escola ligou directamente para os bombeiros. E os bombeiros mandaram a ambulância, que chegou à escola - meia hora depois da chamada original - e levou o garoto. Tinham já chegado ao hospital quando finalmente o INEM ligou para os bombeiros, para mandarem então uma ambulância para a escola. Tinha o garoto acabado de falecer no hospital do Montijo, que fica a dez minutos da escola. Levado por uma ambulância dos bombeiros, que ficam a menos de cinco minutos da escola. O garoto morreu. O INEM diz que lamenta. Emergência médica, dizem eles. Emergência de merda, digo eu.Pinóquio sim, mas não tanto.
Eu sei que é tradicional haver uma diferença entre os números de adesão a uma greve da função pública, consoante venham do governo ou dos sindicatos. E sei que os números dos sindicatos são, também tradicionalmente, insuflados para aparecerem mais gordinhos e luzidios. Eu só não sei é se, a acreditar nos números do governo para esta greve geral da função pública, chegaram a ser uma dúzia os grevistas de hoje. Talvez seis, sete pessoas, no máximo. Pronto: oito, vá lá!Um ministro de raça perigosa
Nasci num país estranho, eu sei. Mas adoro a minha terra e, digo sem hesitar e depois de algum mundo corrido, este é o melhor país que eu conheço para se viver. O que não impede, de vez em quando, que me salte a tampa com aquilo que vejo acontecer neste Portugal dos tristes como Jaime Silva, ministro socrático da Agricultura, que hoje anunciou querer assinar, já na próxima semana, um despacho proibindo a importação, reprodução e criação de cães de sete raças consideradas perigosas e de todos aqueles que resultem do cruzamento de animais destas raças. Vai mais longe ainda a sanha legisladora do despachante Silva. O senhor Ministro da Agricultura anunciou também que foi solicitado (a quem, não disse) um estudo sobre as raças consideradas de risco, nomeadamente Pit Bull, Rottweiler, cão de fila brasileiro, dogue argentino, Staffordshire Terrier americano, Staffordshire Bull Terrier e Toza Inu, estando em preparação um despacho que obrigará os donos a procederem à sua esterilização, no prazo de dois meses. Exactamente, leu bem: esterilização, dois meses. Para a definitiva extinção destas raças no nosso país, por decisão iluminada do senhor Ministro da Agricultura.Jaime Silva explicou que esta decisão se prende com o histórico de acidentes «gravíssimos» com estes cães que têm vindo a ocorrer em Portugal. Em declarações à TSF, o ministro da Agricultura admitiu não gostar de medidas «drásticas» de proibições, sublinhando, no entanto, tratar-se de casos que «impõem estas decisões». Ou seja: incapaz de regular com sensatez e objectividade as condições neessárias e suficientes para a sobrevivência destes animais, este ministro iluminado propõe-se tomar medidas para extinguir estas raças no nosso país, salvando assim Portugal destas ameaças que, espera-se, possam continuar a existir noutros países onde não existam imbecis deste calibre em lugares de acesso à feitura de leis como esta.
Recorde-se que a lei que estabelece o regime sobre animais perigosos, de resto contestada desde o início por todas as entidades e associações do sector, com natural destaque para o Clube Português de Canicultura que contesta até a selecção das raças consideradas perigosas, foi aprovada em Agosto do ano passado, sem que fossem ouvidos os especialistas na matéria, mas ainda não se encontra regulamentada, o que já foi alvo de crítica pelo PCP, CDS-PP e Bloco de Esquerda (BE), que acusam mesmo o Governo de desleixo. Eu não vou tão longe na crítica, não me passa pela cabeça chamar desleixado ao senhor ministro da Agricultura. Nem tampouco chamar-lhe nabo, cedendo à tentação da piada fácil. Não é hora de piadas, face a declarações como estas feitas por este ministro de raça perigosa. Não há cães perigosos, tal como não há ministros perigosos; existem, isso sim, donos perigosos e gente estúpida e incompetente. A intenção legislativa de Jaime Silva é politicamente autista, malformada de raiz e socialmente criminosa. E vem confirmar a suspeita antiga de que este senhor é, enquanto ministro, uma besta. E, enquanto ser humano, um animal.
Ainda JPP e as setinhas. Rabiante.
«A origem das setas é a resistência da Frente de Bronze, de que faziam parte os social-democratas alemães, contra o nazismo, e essa génese foi descrita num texto de Pedro Roseta. Os resistentes alemães usavam as três setas para estragar o efeito da cruz gamada, e isso vinha descrito num livro de culto que era lido pelos que tinham possibilidade de o ler, porque estava proibido pela censura antes do 25 de Abril.(...) A história é assim, é o que é, e deixa marcas. Sem as marcas, somos outra coisa. Fazê-lo por razões de marketing, imagem e publicidade, indo para a seta única, substituindo as "antiquadas" três setas, como o PS fez com o punho, e pintar o partido do estandardizado azul (na verdade o mesmo azul da CDU e pelas mesmas razões), significa ou ignorância, ou novo riquismo deslumbrado, ou as duas coisas.
Se querem modernizar as setas, são as três setas que têm que modernizar e não uma. Se querem des-laranjar o partido têm que encontrar melhores razões do que o marketing. Se querem fazer um "novo partido", deixem este aos que ainda são fiéis ao legado de Sá Carneiro.»
quinta-feira, 13 de março de 2008
Às vezes, muitas vezes, o equilíbrio.
É bem certo que meia solução está muitas vezes na forma como encaramos os problemas, que a outra metade vem no embalo da passada e sem grandes dificuldades, desde que vencida essa primeira e decisiva batalha. Como em tudo na vida a resposta estará no bom senso, no dosear, no valorizar com conta certa, nem de mais, nem de menos. No meio termo, com termos. No equilíbrio, enfim.
Às vezes, muitas vezes, o equilíbrio é possível.
Bom dia. Hoje eu bato palmas por antecipação.
«A cantora e compositora brasileira Adriana Calcanhoto estará em Portugal em Maio e Junho, para efectuar concertos em Lisboa, Porto, Torres Novas, Guimarães e Ponta Delgada. Adriana actuará no Coliseu de Lisboa dias 19 e 20, no Palácio dos Desportos de Torres Novas, dia 24, no Coliseu do Porto, dia 30, no Pavilhão Multiusos de Guimarães dia 31 e no Teatro Micaelense, em Ponta Delgada, em Junho, em data a anunciar.»quarta-feira, 12 de março de 2008
Ribau bau, azuis ao ninho
Juro: pior do que ver a nova imagem do PSD é ouvir o Ribau Esteves na TVI a explicar-lhe o azul, que 'lembra o céu, o mar, etc'. E 'a diferença', não esquecer a diferença. Lembrou-me o Mendes Bota, na vertente poética. Em pior, imaginam?
Morte no Congresso
Jack Kervokian, aka Dr.Morte, médico patologista inventor da 'máquina do suicídio' anunciou hoje que vai concorrer ao Congresso norte-americano. Depois de ter cumprido seis anos de prisão por ter ficado provado que ajudou um homem a morrer, Thomas Youk, gravando o procedimento num video que viria a ser emitido pelo '6oMinutes', e de ter admitido a sua participação em quase centena e meia de suicídios assistidos, o Dr.Kervokian deixa agora antever um futuro político no Congresso dos EUA. Tendo em vista a sua especialidade profissional, se me perguntarem, eu cá acho que ele pode ajudar muita gente por lá. E assim o mundo, até, quem sabe.
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