
Com a família de Manuel Correia ainda a derramar lágrimas em Vidago no corpo presente do seu morto ausente, a família de Joaquim Moreira vai procurá-lo defunto ao mesmo IPO de onde saira Manuel Correia a caminho de Vidago. Conhece o mesmo funcionário generoso nos congelados, mas é mais atenta no enfrentar da morte cara a cara. E encontra quem, o seu Joaquim? Claro que não, conhece Manuel, o mesmo por quem os sinos dobram em Vidago. E pronto, lá vem o IPO dizer àqueles vivos que aquele morto também estava morto, sim, mas não era o morto que lhes tinha morrido, tenham paciência, desculpem e muito obrigado. E desculpas ao falecido, evidentemente, para a próxima vez correrá tudo melhor, muito obrigado e desculpe.
Confrontado com esta sua interpretação sui generis de eterno descanso, o IPO já mandou dizer que o funcionário terá sido culpado e que foi já transferido de funções. Que foi uma chatice, sim, sabem, coisas que acontecem a quem está vivo. Mas não deixa de apontar o dedo aos familiares de Manuel Correia, a quem o IPO atribui a culpa maior nesta situação, por terem sido demasiado emotivos. E por não terem sabido escolher o morto certo no self service da sua morgue. Tudo isto esta noite, no Jornal Nacional.
2 comentários:
Se realmente fosse verdade que todos somos iguais depois de morrer, nada disto acontecia.
sam,
humor negro, portanto. meu e teu.
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