Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate.
De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.


segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Revisão da matéria dada

Este domingo correu por aqui um mini-debate sobre RTP/Açores, que se quer e precisa maxi com urgência. Os que apareceram e botaram faladura fizeram-no com a liberdade habitual e com o conhecimento próprio de cada um. Está tudo aqui. Sugiro com veemência uma revisão da matéria dada. E reconheço sem esforço que foi apenas o primeiro passo de uma longa, longa, longa, longa caminhada. Atribulada, por certo, recheada de acidentes de percurso. Mas justa, justa, justa e mil vezes necessária.

A porta está e continua aberta à e para a discussão. Para açorianos e açoreanos. Para todos os açorianos que se importam com aquele que vem sendo, tal como anda há anos e apesar das riquezas que lá tem (humanas incuídas) um factor de resistência a um maior enriquecimento cultural dos Açores dos nossos dias. A RTP/A.

10 comentários:

Anónimo disse...

Enriquecimento cultural dos Açores.
É giro. Voltando à vaca fria este termo lembrou-me imediatamente a velha mãe RTP 1, que nos deu um exemplo magnífico de cultura nacional transmitindo a final da gala da operação triunfo, programa de maior audiencia em portugual, em horário nobre, com três finalistas(expectacularas, por sinal), a cantar (e bem) os temas todos em inglês. Bardamerda!!!!!
E andamos nós aqui preocupados para saber se temos um é ou um i na palavra que nos define.
Nunca vi os Americanos preocupados a saber se Busch se escreve com um B de burro o V de Vosta de Baca.
Rui, esta mãezinha, também no meio de muita pompa e circunstância, também de vez em quando dá us maus passos para exemplo.
Que despretígio para os compositores e poetas portugueses. É triste, não achas Rui?

Rui Rebelo Gamboa disse...

"Caro Rui Vasco Neto,

Li atentamente toda a caixa de comentários do post que escreveu sobre a RTP-A (até à hora que escerevo, evidentemente) e digo-lhe sinceramente que, apesar de ter tido vontade de comentar no começo, neste momento já não tenho. Um dos seus últimos comentários (aquele mais elaborado em que enumera alguns pontos) resume quase tudo o queria ter dito.

Relativamente ao tão desejado debate sobre o futuro da RTP-A, tal como previa, não aconteceu, porque debate pressupõe duas partes a discutirem o mesmo assunto. Mas registo com agrado todos os contributos que deu para o tema que queremos debater. Na altura em que escrevi este post, poucos contributos construtivos tinham sido postos em cima da mesa, tal como referi, mas o RVN enriqueceu o debate com ideias de como fazer da RTP-A um canal viável, mas que seja ao mesmo tempo, serviço público para os açorianos.

Tenho pena de não poder contribuir mais para este debate. A minha opinião é a que manifestei. Sou apenas um telespectador, não conheço o interior da televisão. O que posso fazer é ouvir (neste caso é ler) o que as diferentes partes têm a dizer sobre o assunto e daí retirar algumas conclusões. Pena que neste caso, apenas uma parte tenha mostrado os seus argumentos. Mas haverá outro lado? Haverá forma de contra-argumentar o que disse? Quero pensar que sim, mas receio que não. Receio que o outro lado esteja de "rabo preso", por isso resvala para o ataque fácil (se bem que elaborado).

Por isso, aceite os meus mais sinceros cumprimentos e deixe-me que lhe diga que espero vê-lo de regresso ao ecrã ao mais rapidamente possível, se for esse o seu desejo. E melhor seria que fosse na sua, na minha, na nossa RTP-A. Um abraço."

Este comentário foi feito no blogue Máquina de Lavar (a ligação está nesta lista de favoritos, que aproveito para agradecer ao RVN).

Rui Vasco Neto disse...

rui,
Chapeau, caríssimo!

Rui Vasco Neto disse...

alfredo,
É triste, de facto. Mas acaba por se perceber, na lógica da produção do próprio concurso. Porque vejamos: os concorrentes têem (mal seria se assim não fosse) uma latitude razoável na escolha dos temas que pretendem defender, é certo. É de resto a única maneira de fazer aquilo, faz parte das regras daquele tipo de espectáculo, hvaer liberdade de escolha da canção onde o concorrente se sente mais à vontade, é a grande final, ele é que sabe.
Pena é que o gosto nacional não esteja sintonizado na música portuguesa em vez de o estar nas playlists das rádios, mas isso é outro assunto.

samuel disse...

Rui

Deixa-me dizer primeiro ao Alfredo Gago da Câmara que em relação à final da OT e ao vasto leque artístico poético e musical que as cantigas escolhidas representam, acertou em cheio. Isso seria assunto para uma grande conversa, porque não com um "Quinta do Carmo", para não estarmos muito longe da fonte das "Portugal Ramos", se acabasse...
Agora que já voltei a ti por via da pinga, sempre te digo que isto dos blogs é uma coisa mais catita do que pode parecer à vista "desalmada". Os blogs vieram trazer de novo um meio para se discutir tudo e o seu contrário, mas mais importante, a vontade de voltar a discutir. A cereja em cima do bolo é que se vê chegarem (de mansinho) amigos e amigas novos nisto dos debates, a experimentar o gozo de se chegar à frente e falar.
Não tarda nada, vais ver, o pessoal "descobre" que mesmo, mesmo bestial seria criar o hábito de se encontrar nuns sítios simpáticos, de volta de um copo, e "mudar o mundo" olhos nos olhos...
Quanto ao Joel, que não conheço mesmo (penso eu), quando apelou para os "Vinte Anos" que leva disto de Açores e escrita sobre os ditos, fez-me ganhar a noite que já dava por perdida no meio da discussão da RTP/A, que descambou e tal...
E ganhei a noite porquê, perguntas tu...
O amigo Joel, embora sem querer, fez-me lembrar de um querido e velho Açoriano, daqueles tipo "Açoreano"... o Melo Pereira, pai espiritual do Festival RTP (quando aquilo tinha algum jeito).
Segue a história. O Rui Cardoso, saxofonista presente nesses festivais, na época em que eu tinha "cartão de residente", era como sabe o pessoal das músicas, um chato capaz de enlouquecer qualquer mortal, só que o fazia para se divertir. Num desses festivais, escolheu como vítima o bom do Melo Pereira, que depois de "ataques", bocas e "críticas ferozes" à organização do evento e sem mais argumentos, gritou muito encarnado para o Rui Cardoso: "Olhe que eu ando nisto do Festival há 19 anos!" Ao que o Rui respondeu com toda a calma: 19 anos?! O senhor anda é há 18 anos a repetir o primeiro!...
Como homem inteligente que era, o Melo Pereira, minutos depois, estava mais encarnado a rir da piada do Rui do que quando se tinha zangado.
É a minha história preferida do Festival RTP da Canção.

Abraço.

Rui Vasco Neto disse...

Sam,
Estas merdas não se fazem!
Arrastaste-me num repente para um poço de vinte e tal anos onde eu já mal via água. Acredites ou não, li o teu comentário há minutos e levantei-me, com a calma dos justos, servi mais de meio, vim pra aqui e aqui estou, estendido ao comprido nas memórias. Ora senta-te e ouve.
Não te vou dizer que passava fome, que não é o caso. Mas a vida era meio estranha na altura. Vinte e tais, mãe solteira, preguiça de manhã e pé para a asneira, tens o essencial para o retrato. Cachet à noite que a madrugada quase comia, e o resto mal chegava para as fraldas e para o lanchalmoço. Um dia, 5 da tarde, talvez, este teu amigo vê um anúncio no Correio da Manhã que dizia: "Grande concurso das Marchas de Lisboa, 1º prémio 500 contos".
Querido amigo: sentei-me num canto, banza no colo, puto no berço, e fiz quatro lindas marchinhas ao meu lindo S.João, Santo António que és só meu e não fiz uma ao senhorio porque não lhe sabia nome de santo. Juro. Às nove da manhã estava eu na rua com a guitarra na mão e um problema às costas. Dizia o regulamento do tal concurso, na altura, que as composições concorrentes tinham que ser entregues em dois suportes, gravação de maquete e parte de piano. Exacto. Acontece que eu mal escrevo português, lá me desenrasco, mas cifra? pauta? porra! Lembro-me de quem? Rui Cardoso, nem mais! Trabalhava ele nas produções do Júlio Isidro, ao tempo gravadas na Telecine, e eu era produtor exacatmente na Telecine, onde o conheci e me deslumbrei com aquele furacão de loucura. Ficámos best friends pelo tempo que as nossas loucuras se aguentaram mutuamente (que foi muito, enquanto próximo, e não acabou, longe e ainda hoje, da minha parte. Guardo até hoje a memória do dia em que bati à porta do Rui às dez da manhã e me aparece aquela pêra ensonada, de robe de chambre em seda até aos pés, vermelho com dourados de dragões macaístas, já verde (ele próprio) por ter sido acordado, e aos berros quando soube que eu queria quatro partes de piano quatro de quatro marchas populares quatro, se faz favor e depressinha que o prazo acaba hoje às 16:30.
Meu cao Sam: ele deve estar aí vivo para te confirmar,saí da casa dele à hora em que ele já devia estar no S. Carlos (o emprego a sério). Nunca entreguei as marchas (duas delas gravei-as como fados, vinte anos depois, e um deles é dos preferidos do nosso Alfredo). Mas enchemos a barriga de riso, copos e música, e escrevemos juntos uma memória que tu não tinhas nada que vir bisbilhotar. Bolas, imagino a cara do Melo Pereira!

samuel disse...

Portanto, é seguro afirmar (sem que o Rui Cardoso ouça) que já andamos nisto há uns anos...
Boa história! Que é feito do "Ruidoso"?

Abraço.

Rui Vasco Neto disse...

Não faço ideia, mas se for vivo (que erva ruim não morre) deve estar um santo, que isto dos extremos tocam-se e ele já tinha passado o extremo do (deliciosamente) insuportável há muito, muito tempo...

Anónimo disse...

Rui Vasco! (tom altamente irritado)
Começei a comentar este blogue pegando na deixa de "um maior enriquecimento cultural". Acabei por não perceber a justificação porque não consigo entrar na lógica da produção do concurso, defeito meu.
Será que esta lógica se aplicaria em Inglaterra se na final de um concurso britanico surgissem tês canções cantadas em português?
Porque será que este lógica não permite aos autores portugueses, verem e ouvirem os seus trabalhos bem orquestrados, bem gravados e bem cantados, como o são, numa estação pública de televisão que eles ajudam a pagar e a manter?
Será que esta lógica permite à grande maioria dos portugueses (mais de 80%),também contribuintes, a percepcão das letras e dos poemas importados em outra lingua? Quanto será que as nossas estações pagam de direitos de autor ao estrangeiro?
Seu que me entendes e o Samuel também, mas eu não resisto. Vou escrever outra vez: Bardamerda a esta lógica!!!!

Rui Vasco Neto disse...

alfredo,
senta-te e bebe um copo.
a festa mal começou.