Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate.
De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.


segunda-feira, 28 de abril de 2008

O capacho da esquadra de Moscavide

É francamente constrangedora, esta história do grupo de indivíduos que invadiu a esquadra de Moscavide para sovar um outro que lá se tinha acoitado exactamente para fugir dos seus perseguidores. Sem sucesso. O episódio não é fácil de comentar, convenhamos. Por onde começar? Pelo facto de mais parecer a Rotunda do Marquês, aquela esquadra que é ponto de passagem, entrada, mocada e saída para quem quiser, quando e como quiser? Ou antes pela ausência de agentes da PSP no único sítio onde era suposto encontrá-los sempre, a todas as horas?

Uma esquadra de polícia não é um café, jardim ou miradouro. Não se vai lá para conviver, conversar, ver os amigos ou muito menos bater-lhes, sendo que esta última hipótese está mesmo reservada aos profissionais da casa, que detêm o exclusivo da modalidade em qualquer esquadra do país e estrangeiro. Por isso, em princípio, ninguém lá vai sem ter algo de importante para tratar e resolver, ou então porque foi chamado e a tanto obrigado, quisesse ou não. Mas, aparentemente, também nesse particular os tempos são de mudança. Uma porta aberta e sem vigilância faz tanto sentido num posto policial como um capacho de boas vindas na entrada, a convidar à visita. Será que existe um tapete assim na esquadra de Moscavide? Já seria pelo menos uma explicação para o absurdo que por lá aconteceu.

1 comentário:

Saci disse...

Rui

Começo a sentir-me desconfortável com este papel de espécie de defensora das autoridades policiais.

Sendo assim gostaria que me respondesse a três perguntas sff:

1-Não é suposto os polícias em patrulha, sobretudo num domingo à tarde quando tantas pessoas estão na rua?

2-Se o polícia que estava na esquadra tivesse disparado (afinal trata-se de uma invasão de uma esquadra), não teríamos hoje aqui um post com outro conteúdo mas no mesmo palco?

3-Serão os polícias culpados pela falta de pessoal (e de tantas outras coisas) ou o problema virá de cima?