Há gente assim, com vidas que nunca mais acabam. Seres com a estranha capacidade de se reinventarem mesmo no disparate.
De renascerem sempre, após cada uma das muitas mortes que vão tendo em vida. Tolos, há outros que lhes invejam este castigo como se fora uma gracinha para entreter os amigos nas noites frias de inverno ou nas amenas cavaqueiras de verão. São os tolos quatro-estações, que por desconhecerem a primavera das ideias estão condenados ao outono da mediocridade para sempre.


quarta-feira, 19 de março de 2008

O Principezinho

Começou pela magia de um encontro
que acontece uma vez cada milhão
ai, é que os olhos
não vêem como vê o coração

Devagar, pintei as cores da minha vida
pouco a pouco deste o tom do teu viver
ai, e o tempo
levou-nos na aventura de crescer
descobrir cada gesto,
amar, esquecer o resto,
e fez de nós
amigos a valer

Vem à minha estrela,
tem um palmo só de chão,
vem sentar-te nela e ver o mundo
rodar, sofrer, amar, nascer, morrer
e nós ali
amigos a valer


Muita vez busquei o abrigo dos teus braços
que os fracassos doem mais se estamos sós
ai, e hoje
não passo sem o som da tua voz

E se um dia fores no rasto de uma estrela
ninguém vai notar que outra luz se acendeu
ai, e eu ao vê-la
serena entre o azul escuro do céu
vou sentir a magia
o encontro e a alegria
que fez de nós
amigos a valer

Vem à minha estrela
ver um palmo só de chão
vem sentar-te nela e ver o mundo
rodar, sofrer, amar, nascer, morrer
e nós ali
amigos a valer

('Amigos a valer', escrito para a peça 'O Principezinho', Teatro Aberto, 1987/88)

4 comentários:

Daniel de Sá disse...

Que pena que o Principezinho não possa ler isso. Mas eu li por ele e senti por ele, podes crer. E, tal como ele, sempre que tenho sede e 52 minutos livres, vou devagarinho até uma fonte. Que pode ser de palavras, como esta.

eterna criança... disse...

inspirado numa personagem alqu�mica, alquimia gerou...

aquele abra�o!

Rui Vasco Neto disse...

daniel,
obrigado. era o tempo de todos os possíveis, a fonte jorrava por compulsão e com uma inocência cuja falta sinto mais do que tudo.

puto,
gadinho. outro.

piedade disse...

Tão bonito ... recebeste a quadra que te mandei para o teu auto-retrato acima ?